Luka e o fogo da Vida

Quando estive na FLIP deste ano, Salman Rushdie fez o lançamento mundial de seu livro Luka e o fogo da vida diante da platéia. Pegou suas anotações e escolheu um trecho da história para ler. O trecho escolhido é uma verdadeira homenagem, revelando sua alegria com o nascimento de seu filho mais novo que também se chama Luka. Depois de ler esse trecho, pediu que seu filho subisse ao palco e o apresentou a plateia. Salvo engano, lembro de Salman ter dito que pela primeira vez seu filho havia lido um livro seu e completou que Luka e o fogo da vida era um livro feito para Luka, pois o irmão mais velho já tinha sido presenteado com um livro. Então, ele concluiu que este livro era o resultado de sua cobrança. O livro era para Luka.

“Soraya pegou o bebê de volta e acalmou o pai. ‘ O nome dele é Luka’, ela disse, ‘e esta maravilha significa que parece que nós trouxemos ao mundo um sujeito capaz de fazer o próprio tempo voltar atrás, de fazer o tempo correr para o lado errado e nos deixar moços de novo.”

Talvez fosse esse o desejo de Salman, voltar o tempo e reverter o curso de todo o processo inimaginável que ele tem suportado até então, vivendo refém de sua própria Literatura, inventando um mundo mágico onde seu filho pudesse lutar por uma sua causa, libertando o pai do sono profundo, do silêncio profundo. Indo além, talvez ele necessitasse desse menino para que o mundo descobrisse que não se pode calar uma Torrente de Palavras, nem fazer parar o curso do Mar das Histórias, tampouco retirar o verde dos pastos ao redor da Montanha do Conhecimento.

Salman coloca nas mãos de seu filho o recorrente desejo de extensão das vontades internas, instigando a aventura como meio de superação de medos, inseguranças e imaturidade. Nessa história fantástica cheia de deuses e semideuses, monstros e seres mitológicos, a imaginação flui no curso da imprevisibilidade da vida; enfrentando as fases do vídeo game como se fossem todas as vicissitudes da vida real. E nessa aventura criada pelo escritor, a meta é alcançar o fogo da vida para que o Pai, contador de histórias, não perca a razão para continuar vivendo que é contar suas fábulas; suas verdades.

Definitivamente, Luka e o fogo da vida não mente quando diz que esse livro se destina a todo público jovem. Público este, que ainda necessita do viés da fantasia para reconhecer algumas características do mundo adulto. Responsabilidades; o novo; a liberdade- e a liberdade de expressão está embutida-, tudo isso faz parte de um conjunto maior que constrói o verdadeiro sustentáculo para a vida.

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Sobre Roberto Muniz Dias

Roberto Muniz Dias é piauiense radicado em Brasília há 10 anos, é romancista, contista, poeta, artista plástico e mestre em Literatura pela UNB (Universidade de Brasília). Também formado em Direito, integra a Comissão de Tolerância e Diversidade Sexual da 93a Subseção de Pinheiros da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional São Paulo. Foi premiado pela Fundação Monsenhor Chaves com menção honrosa pela obra “Adeus Aleto”. Publicou ainda “Um Buquê Improvisado”, “O Príncipe - O Mocinho ou o Herói podem ser Gays”; Errorragia: contos, crônicas e inseguranças; Urânios; A teia de Germano; Uma cama quebrada (peça de teatro); Trilogia do desejo (coletânea de romances) e recentemente foi premiado pela FCP (Fundação cultural do Pará com o texto teatral AS DIVINAS MÃOS DE ADAM) como melhor texto teatral. Lançou recentemente o livro EXPERIENTIA, coletânea de suas primeiras peças de teatro. www.robertomunizdias.com
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