As feridas de um crítico

Dia desses de compras, encontrei na FNAC um livro intitulado AS FERIDAS DE UM LEITOR de José Castello. Tava bem baratinho R$ 5,00. Logo veio a memória o embate que tivemos indiretamente por meio do setor de cartas da Revista. Contestei com todas as minhas forças a ideia de que existia uma estética homossexual, fato que ele “comprovou” por aspectos contextualizados numa falta de existência do homossexual e de uma herança de maldiçoes dos escritores gays mais renomados. Para ler meu comentário, veja o post no meu blogue (clique aqui) ou resgatem as revistas de números 145/146 de agosto e setembro de 2009.

Agora com este livro em minhas mãos devo reconhecer o trabalho de Jose Castello como limpo, lúcido ao interpretar autores, conjunturas e obras de uma forma clara, quase pedagógica.  O livro sem pretensão tenta resumir suas leituras e análises, às vezes mistura estilos quando conta histórias sobre as aventuras de V. Wolf e do irmão, alternando a loucura e o lúdico da escritora; ou quando ele tenta resumir uma obra tão pretensiosa como a de Harold Bloom, ONDE ESTÁ A SABEDORIA? Harold Bloom se diz o arauto do cânone masculino, enfim; Castello deixa claro o que pareceu tão hermético neste livro.

Vou folheando e achando coisas interessantes sobre alguns autores e obras, como o livro de Cristovam Tezza,  O FILHO ETERNO, no qual ele teoriza sobre a pessoa a ser utilizada na urdidura, 1ª ou 3ª pessoas?

Estes pequenos detalhes fazem com que o livro amorteça em mim aquelas ideias que ele tinha em relação à estética homossexual. No entanto, coloca o debate, depois de quatro anos, sobre a produção da literatura com temática e estética homossexual.

Ainda acredito nesta estética não apenas porque acredito, mas porque existe uma cadeia que envolve a produção casuística: leitores, consumidores, agenciadores, pontos de debate e vivência desta leitura, editoras especializadas e sobretudo escritores.

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Sobre Roberto Muniz Dias

Roberto Muniz Dias é piauiense radicado em Brasília há 10 anos, é romancista, contista, poeta, artista plástico e mestre em Literatura pela UNB (Universidade de Brasília). Também formado em Direito, integra a Comissão de Tolerância e Diversidade Sexual da 93a Subseção de Pinheiros da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional São Paulo. Foi premiado pela Fundação Monsenhor Chaves com menção honrosa pela obra “Adeus Aleto”. Publicou ainda “Um Buquê Improvisado”, “O Príncipe - O Mocinho ou o Herói podem ser Gays”; Errorragia: contos, crônicas e inseguranças; Urânios; A teia de Germano; Uma cama quebrada (peça de teatro); Trilogia do desejo (coletânea de romances) e recentemente foi premiado pela FCP (Fundação cultural do Pará com o texto teatral AS DIVINAS MÃOS DE ADAM) como melhor texto teatral. Lançou recentemente o livro EXPERIENTIA, coletânea de suas primeiras peças de teatro. www.robertomunizdias.com
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